Calheta da Morabeza a-missionaria@espiritanos.org|JORGE CARVALHAIS|*
O Colégio de Nª Sª da Apresentação – Calvão (a sul de Aveiro) e a Missão Espiritana da Calheta, estão unidos pela magia da Morabeza – palavra que, em crioulo, significa “bem acolher”. Tudo começou quando, há cerca de um ano atrás, um projecto dos alunos da turma de Desporto começou a tomar forma. O sonho era anterior. Ainda no 9º ano, dois alunos – a Carla e o Daniel acalentavam o desejo de conhecer in loco o trabalho missionário. Já no 11º ano, o sonho foi incorporado por quase toda a turma de Desporto: substituir a “tradicional” Viagem de Finalistas, por uma experiência de Voluntariado ad gentes. Faltava ainda um ano, era um projecto ousado, por isso: “mãos à obra”! Mas no Colégio de Calvão já estudavam alunas cabo-verdianas, ao abrigo de um intercâmbio desportivo. As conversas eram frequentes e o objectivo tornou-se óbvio: Cabo Verde. Do contacto com o Provincial do Espiritanos, foi mencionada a palavra que, a partir de então, passou a povoar o nosso imaginário – Calheta. A receptividade da família Espiritana, com destaque para o incansável, Pe. Nuno, mostrou que era possível. A turma organizou-se, preparou-se e, um ano depois da primeira realização, estava de partida.
Semana Santa na Calheta
Era Domingo de Páscoa. 10 alunos, 4 professores e 3 ex-alunos do Colégio. Nas bagagens, além do indispensável para cada um, material desportivo/escolar e… os sonhos. Em plena Semana Pascal, começava uma inesquecível experiência que, de tão rica e intensa, torna-se quase impossível descrever. Os objectivos iam, diariamente, sendo atingidos: a dinamização de actividades desportivas com crianças e jovens da Calheta, algumas formações na área da Saúde/Higiene, da Cidadania, aulas de conversação a Inglês, sem esquecer, claro, a fascinante arte da Capoeira – a luta da Paz. Algum material desportivo/escolar levado pelo grupo, era distribuído, na Calheta e na memorável viagem à Ilha do Maio, e fazia as delícias da criançada. Um programa extenso… Porém, a cada momento, os portugueses, éramos surpreendidos, com a GENEROSIDADE de quem nos acolhia. Dos Missionários Espiritanos ao povo das Comunidades, passando pelos incansáveis escuteiros e pelas nossas cozinheiras na Escola Pe. Moniz. Pensávamos que iríamos fazer algo, recebemos muito mais. A isto se chama Doação.
A ligação continua...
E no final, a par com a sensação do muito que ainda ficou por fazer, aquela outra, ainda mais impotente, de não saber como agradecer tudo isto… No mais, fica o desafio de que esta semente possa ter mais frutos. Sentimo-nos, inexoravelmente, ligados à Missão da Calheta. O mínimo que poderemos fazer é continuar a dar o melhor de nós mesmos, com o Centro e outros projectos, para retribuir a IMENSA Generosidade do povo cabo-verdiano.
* Colégio de Calvão -Aveiro . Publicado em www.espiritanos.org a 5/10/2008 1:45:18 PM.
|