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5º Domingo da Quaresma

Pe. José de Castro Oliveira
pe.castro@espiritanos.org

A nenhum de nós é difícil imaginar os rostos duros, indignados e acusadores daqueles fariseus e escribas que quiseram forçar Jesus a julgar aquela pobre mulher, acusada de ter cometido adultério. Eles incarnam na perfeição o zelo farisaico por uma lei que foi violada e que urge ser reparada pela aplicação impiedosa da pena prevista na Lei de Moisés: o apedrejamento da respectiva infractora.

Este zelo hipócrita nada tem a ver com o Deus que Jesus Cristo nos veio dar a conhecer. Maior adultério cometiam-no eles ao recusarem o Deus “clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia”, que assim se autodefiniu perante Moisés e que Jesus tão admiravelmente retratou na parábola do “pai bom”, que nos foi servida no domingo anterior.

Hoje, o filho mais velho é substituído pelos fariseus e escribas, de dedo acusador apontado para aquela mulher, e aos quais Jesus recorda a nossa comum condição: “atire a primeira pedra quem estiver sem pecado”. Como seriam diferentes as nossas vidas se substituíssemos o rigor, a intransigência e a incompreensão pela misericórdia e pelo perdão mútuo!

É que o verdadeiro perdão, não apaga apenas o passado, como, sobretudo, nos reabilita para o futuro, um futuro irrigado e fecundado pelas águas vivas do perdão divino, o único capaz de acabar com a aridez de uma vida corrompida, porque mergulhada na satisfação dos desejos naturais ou cristalizada numa dureza de coração, incapaz de perceber e sentir a alegria da primavera que chega através do perdão, concedido e acolhido.

É que pior que pecar – a nossa fragilidade nos faz sucumbir muitas vezes - é querer permanecer no pecado, não o reconhecendo ou não se abrindo ao perdão. Foi o que fizeram aqueles escribas e fariseus, que sorrateiramente se foram retirando, não para evitar a presença da mulher pecadora, mas para fugirem ao olhar compassivo de Jesus, que também a eles queria dizer: ide em paz e não volteis a pecar!

O perdão é, sem dúvida, a grande maravilha de que nos falava a primeira leitura. Que falta a cada um de nós para que, nesta Quaresma, aconteçam as maravilhas que Deus continua a realizar? Porquê continuarmos mergulhados na aridez do pecado, quando, mesmo ao nosso lado, correm as abundantes águas do perdão de Deus e da Igreja?

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Publicado em www.espiritanos.org a 3/17/2010 6:32:19 PM.

 

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